Quando o mané é malandro…
Abril 29, 2009
- Polish Posters – Macunaima
As coisas ficaram feias. Até o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) já se aproveitou da facilidade em conseguir passagens aéreas para proveito próprio
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) promete realizar na próxima quarta-feira (22/04) um discurso para reconhecer o “erro” ao ceder passagens aéreas da cota a que faz jus como deputado para que familiares viajassem ao exterior. (FOLHA ONLINE, {http://tinyurl.com/d9483m})
Antes disso, o ex-deputado Almeida de Jesus (PR-CE) já pegava carona em 81 viagens bancadas pela Câmara mesmo após o término de seu mandato
[...] pelo menos 117 ex-deputados tiveram passagens aéreas pagas pela Câmara no período de fevereiro a dezembro de 2007. Desses, 28 usaram a cota mais de 20 vezes, para emitir um total de 896 bilhetes com destinos nacionais. (ULTIMO SEGUNDO, {http://tinyurl.com/crepdw})
Bilhetes que, pela legislação, são oferecidos aos representantes da Câmara e do Senado para que estes retornem às suas bases políticas. Nada mais razoável, já que o ideal seria que os eleitos prestassem contas periódicas à população que os alçou à diretoria de seu País. Até onde se saiba, nenhuma das tais excelentíssimas figuras tem colégio eleitoral de peso no além-mar. De inegável curiososidade, então, é a razão pela qual tantos deles tem ido ao exterior. A resposta é óbvia.
O que eu estou fazendo de cueca no telhado? Churrasco! (SOBRINHOS DO ATAÍDE)
Quantas vocês você já foi à Europa? Ou à Disney? Imagina-se que, para a maioria dos brasileiros, a resposta à essa questão seja “nunca”, afinal o Bolsa-Família não chega a tanto. Ao menos, consola saber que seus nobres políticos já lá flanaram por eles – e inúmeras vezes. Cansados que estavam das tulipas de uma Holanda no adentrar da Primavera ou do aroma único de um croissant recém retirado do forno na alvorada parisiense, no entanto, decidiram por enviar conhecidos – chegados, no termo brasileirês. Assim, até Adriane Galisteu fez turismo, batendo coxa com o dinheiro dos impostos. Nossos impostos. Dela também. Disse que não sabia.
Como esperado, essa “orgia” – como o leitor passará a chamá-la dentro de alguns minutos – gerou a velha onda da necessidade pela mobilização, debate sempre engrossado pelo eco dos escândalos políticos. Não sem razão. Espera-se que a cada novo alvoroço o cidadão se engaje em alguma forma de ruptura, o que não acontece. Aguarda-se, então, pelo próximo; talvez com um motivo mais forte. E eles de fato surgem, mais abomináveis que os anteriores, e assumem-se como símbolo do disparate brasileiro. Mas o ciclo é vicioso, e logo morrem. Infelizmente, mas natural.
Talvez seja essa a característica que dita o inconsciente coletivo dessa geração – o Zeitgeist brasileiro pós-redemocratização. Ou quem sabe a pouca escolarização e cultura do indivíduo comum possa ser apontada como causa do descaso. Os fatores são diversos, o que levaria a uma discussão enorme, ainda que pertinente. Mas exige fôlego.
É chegando ao último suspiro desse sprint necessário que vos deixo com o vídeo que serviu como tiro de largada para este post. Inspiração, afinal, nunca é demais. Quem sabe você também não se motive depois, mesmo que por alguns dias. Assim poderá andar com menos medo das “bazukas anais” equipadas “com miras à laser” (MAMONAS ASSASSINAS, Mundo animal). É titica por todo o lado.
Piadas
Março 19, 2009
Uma piada engraçada:
Bush se aposenta e fica tão deprimido que adoece e morre. No inferno ele encontra o Brizola e a Rainha da Inglaterra.
Bush pediu ao diabo uma autorização para fazer uma ligação para os EUA, porque queria saber como ficou o país depois da sua partida.
O diabo permitiu a chamada e Bush falou durante 2 minutos. Ao terminar, o diabo disse que a chamada custava 3 milhões de dólares, Bush fez um cheque e pagou…Quando a rainha soube, quis fazer o mesmo, e ligou para Inglaterra, mas conversou durante 5 minutos.O diabo passou a conta, em libras esterlinas, equivalente a 10 milhões de dólares.
Obviamente que o Brizola ficou intrigado e também quis ligar para o Rio de Janeiro para ver como havia ficado o Estado, mas conversou por
mais de 3 horas falando com o Sérgio Cabral. Quando desligou, o diabo disse que
era 3,50 dólares. O ex-governador ficou atônito, porque havia presenciado as cobranças anteriores que duraram muito menos tempo.
Então, perguntou ao diabo porque custava tão pouco ligar para o Rio de Janeiro?O diabo respondeu:
De inferno para inferno a chamada é local …
Uma piada nem um pouco engraçada:
Diretoria de check in, para facilitar o embarque dos senadores nos aeroportos, diretoria de visitação, para acompanhar a visita de turistas ao Senado, e ainda uma outra apenas para cuidar das comunicações por rádio em ondas curtas. O Senado tem 181 diretores em seu quadro funcional, o que representa mais de dois para cada um dos 81 senadores. Segundo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a ideia é reduzir pela metade o número de cargos de direção na reestruturação administrativa que será promovida na Casa. O que significaria que, depois da reforma, o Senado terá em média um diretor por senador.
A profusão de diretores é tão grande que, por ironia, a própria direção do Senado teve dificuldades para levantar o número exato. Na terça-feira, depois que Sarney determinou o afastamento dos funcionários dos cargos, foi divulgado que a medida atingiria 131 pessoas, depois 136. Ontem o número variou algumas vezes até fechar em 181. Tantos cargos exigiram criatividade na hora de designá-los. A diretoria de check in, por exemplo, é conhecida oficialmente pelo nome de “coordenação de apoio aeroportuário”. Uma das diretorias é ocupada por uma jornalista que faz as vezes de assessora da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA).
A maioria dos diretores ganha em torno de R$ 20 mil (wtf???), mas muitos, pela antiguidade como funcionários de carreira do Senado, recebem o teto, R$ 24,5 mil.
A expectativa é que a reestruturação administrativa seja concluída em seis meses. O anúncio da reforma foi feito ontem por Sarney, em mais um ato político para tentar dar a resposta às denúncias de irregularidades na Casa.
Por enquanto, Sarney assinou apenas um protocolo de intenções com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que ficará encarregada de fazer uma auditoria e os estudos para enxugar a máquina administrativa. Sarney pediu na terça-feira que os diretores do Senado pusessem seus cargos à disposição, mas, até o início da noite de ontem nenhuma exoneração havia se se efetivado.
Na solenidade de assinatura do protocolo com a FGV, Sarney fez um desabafo: “Não tenho mais aspiração política, a não ser cumprir este meu último mandato. Portanto irei fazer o que for necessário.” Diante de uma dezena de senadores, ele afirmou que o Senado “precisa sair dessa discussão menor”, em referência às denúncias contra a Casa (veja quadro).
“Todos (os diretores) vão sair e vamos analisar pelo critério de mérito quem vai ficar. Coloquei meu nome, minha carreira, mais uma vez, sem necessidade. Vocês têm de compreender que para mim não é fácil. Aceitei prestar um serviço à Casa”, argumentou Sarney, ao afirmar que também não sabia da existência de tantos cargos de direção no Senado. “Não é do meu temperamento ser a palmatória do mundo.”
>> clique aqui para ler a íntegra no Estadão Online.
Enquanto isso, na Suíça…
Fevereiro 19, 2009
… a intolerância a quem é diferente, a xenofobia e o chauvinismo não param de crescer: ‘Briga entre as torcidas dos times de futebol Goiás e Vila Nova resultou na morte de três adolescentes’ [Terra 09.02.09].
… a carga tributária se equipara a países como Espanha, Alemanha e… Brasil: ‘Com 36,54%, a carga tributária em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) bateu novo recorde em 2007 – seu crescimento, porém, se dá desde 2004′ [Folha de S.Paulo 19.02.09 (só para assinantes)].
… a informação sobre gastos e ganhos financeiros – tais quais a origem e o destino de vultuosas quantias – continua sendo sigilosa: ‘Os deputados e os senadores ganham uma bolada extra por mês. Além dos salários, embolsam mais R$ 15 mil para gastar praticamente como bem entenderem. Apresentam notas fiscais mantidas em sigilo absoluto’ [Simulacro de transparência, por Fernando Rodrigues. Folha de S.Paulo 18.02.09].
Enquanto isso, enquanto todos olham para a Suíça da brasileira Paula de Oliveira…
Polititica e seus especialistas
Outubro 29, 2008
Leio no Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim:
“A grande novidade da atual eleição não é o desempenho de nenhum partido ou candidato. Atende pelo nome de abstenção da classe média. Somente no Rio de Janeiro, o percentual de eleitores que não votaram na zona sul chegou a quase 25%. Ou seja, um quarto do público que mais lê jornais na cidade preferiu ficar longe das urnas. Para o colunista político Maurício Dias, de Carta Capital, o descolamento do eleitor de classe média da disputa eleitoral reflete um processo de rejeição, vitaminado pela imprensa, que começou com a eleição de Lula, em 2002.
Para ele, a forma que a mídia cobre a política projeta a idéia de que a situação do país seria melhor se não houvesse Congresso.
‘Costuma ser dito que pobre não vota. Mas isso é falso. No Rio, os percentuais de abstenção na zona norte e zona oeste foram de aproximadamente 19%, menor do que o da zona sul’”
O polititica não mantém em seu expediente colunistas políticos de grife. Conta apenas com os 10 dedos das mãos do autor e, às vezes, com a boa vontade e interesse de leitores que deixam suas impressões sobre o que é debatido. Posso dizer tranquilamente, porém, que já li muita coisa interessante nessas caixinhas de comentários. Em uma dessas vezes, aliás, o leitor Bob analisou o cenário de desinteresse juvenil pela política de forma tão brilhante quanto o analista da Carta Capital:
“5 Responses to “(Siaulys, Victor: 2008, p.101)“
Bob Says:
Outubro 23, 2008 at 4:43 pm eO problema meu caro, é como Manuel Castells disse uma vez em entrevista ao Roda Viva. A informação política só exibe o que há de ruim na política. Acusações, corrupção, desvio de verbas e essas infinidades de crimes corporativos. Isto ganha muito mais visibilidade do que a aprovação de uma MP no estatudo da criança e do adolescente. Por isso não nos interessamos. Política nos chateia. Política nos entedia. Adoro política, ainda mais qdo tem horário político de vereador e deputado. Porém, o que chega às grandes massas consumidoras de desinformação é apenas a podridão das instituições públicas brasileiras. Nada melhor que um blog humorístico sobre o tema para começar a mudar essa visão”.
Vale ressaltar que Paulo Henrique Amorim é um ferrenho defensor de Lula, o que explica o fato de ele entrevistar um analista que afirma que o desinteresse pela política se dá em razão de um descrédito perante os políticos fomentado pela imprensa após “a eleição de Lula” – em miúdos, pela mídia que quer derrubar o governo do metalúrgico.
O nosso analista Bob, por sua vez, tocou nesse mesmo assunto, mas sem fazer de ninguém um ‘coitadinho’. Que a imprensa conservadora não é lá muito simpática a Lula, todos nós sabemos. Mas dizer que o filme dos políticos começou a ser queimado após o início da era dos ‘companheiros’ é querer forçar demais a barra, não acham?
O que dizer, então, do exemplo até hoje presente no imaginário popular que é o ex-presidente Fernando Collor? Ou, sei lá, Paulo Maluf? Será que eles, que vieram antes do governo do petista, não foram exemplos suficientes para se criar a ideia de que ‘político é tudo igual, corrupto’ e, consequentemente, abalar a imagem da classe, gerando desinteresse (leia ‘Vou votar SÓ porque minha viagem miou’)?
Conclusões
- Não concordo com a afirmação de que a depreciação da imagem do político brasileiro se deu apenas após o início da era Lula. Não lia os jornais durante épocas anteriores, é verdade, mas lembro-me que desde sempre ouvia piadas envolvendo a classe.
- Quanto os 25% da classe média – teoricamente mais informadas – que não compareceram às urnas, o desinteresse pode ser associado a diversos fatores. Um deles é a crença de que, por serem economicamente razáveis, a política não lhes diz respeito, já que o senso comum divide o espectro de atuação partidária em ‘assistencialista, para pobres’ e ‘capitalista selvagem, para banqueiros’. Quem fica entre ambos se sente desamparado. A falta de cultura política em gerações atuais, muitos deles filhos dessa mesma classe média, também deve ser levada em conta. Como terceiro fator, concordo com ambos os comentaristas: a imprensa privilegia sim notícias negativas em detrimento das positivas.
- Já em relação ao comentário do colunista da Carta Capital de que “costuma ser dito que pobre não vota”, confesso também discordar. Primeiro porque nunca ouvi tal comentário. Fosse assim, Lula talvez não tivesse sido eleito, não é mesmo? Tanto se fala que ele tem seu maior apoio em classes baixas que é até engraçado o repórter tocar neste assunto. É de interesse deles escolher um candidato que acreditem ser o melhor. Eles são os que mais precisam do Estado. Em segundo porque muitas vezes essas pessoas mais humildes são obrigadas a votar pelos coronéis do voto. Foi para isso, afinal, que o exército brasileiro fora mobilizado para favelas cariocas. Claro que não se deve generalizar – e tal parcela coagida deve até ser ínfima -, mas é sabido que em locais nos quais o Estado é uma figura ausente muitos eleitores são levados às urnas para votar em determinados candidatos – seja por meio de ameaças, seja por dinheiro.
Essas são algumas das análises que me vieram a cabeça e que venho debatendo com alguns dos leitores. Gosto sempre de lembrar que não sou um especialista em temas politicos. Bob também não o é. Mas, como visto, é possível emplacar discussões interessantes com pessoas normais. Todos temos algo para falar, então não se acanhe. Você é parte fundamental deste blog.
Não se esqueça: não deixem que cagem na sua cabeça.
Maluco beleza
Outubro 28, 2008
Engraçado como já nos acostumamos a certas coisas que, no fundo, são um tanto quanto absurdas. Quase me levaram na conversa agora há pouco, sem que eu mal percebesse. Explico: estava me inteirando sobre o que há de mais fresco nesse mercado da pechincha que é o Brasil quando fui parar no link ’Tucanos vão conversar com PMDB para formar aliança em 2010, diz presidente do PSDB‘.
Até aí, nada havia me chamado a atenção. Afinal, na minha cabeça já habituada ao absurdo, entendi como ‘perfeitamente normal’ o fato de que, mal terminadas as eleições municipais, os bastidores do poder já começassem a se mexer para 2010. A oposição PSDB indo sondar o PMDB, que por sua vez é o maior partido da base governista, um partido que, pelo que vem mostrando até então, se vende por um punhado de cargos. Mas, como disse, nada havia me chamado a atenção. Estamos condicionados a aceitar certas coisas.
E não me venha com o discurso de “viu só, esses riquinhos do PSDB só pensam no poder”. O PT já está nessa mesma toada “PT quer manter apoio do PMDB para 2010“.
Toda essa reflexão anti-absurdo, aliás, – tal qual a ideia desse post – veio depois que, por curiosidade, fui ler os comentários deixados pelos leitores. Um deles, postado por um tal de ‘Maluco‘, me abriu os olhos. O post era exatamente assim:
“É incrivel, mal acabou uma eleição os canalhas ja estão pensando nas negociatas para 2010, esses vagabundos não fazem nada, não trabalham, não mudam nada, queo saber o seguinte porque pagar altos salarios para esses politicos canalhas ficarem em seus gabinetes fazendo conchavos, enquanto deveriam estar melhorando em prol do povo, por isso que esse país não vai pra frente, os vermes da politica so pensam neles”.
Eu bem sei que as coisas funcionam assim, não sou o ingênuo que crê nas pessoas só agindo pelo bem. Mas, as vezes, ao pararmos para pensar, notamos que realmente estamos atolados nesse joguinho. Enfim, pertinente, como há-de se notar, o discurso do leitor. A pergunta, então, é a seguinte: se ele, certíssimo, é o maluco, o que esperar dos lúcidos?
E, antes que me esqueça, obrigado Maluco.
Você me salvou bem na hora que a titica ia cair na minha cabeça.






