Polish Posters - Macunaima

Polish Posters – Macunaima

As coisas ficaram feias. Até o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) já se aproveitou da facilidade em conseguir passagens aéreas para proveito próprio

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) promete realizar na próxima quarta-feira (22/04) um discurso para reconhecer o “erro” ao ceder passagens aéreas da cota a que faz jus como deputado para que familiares viajassem ao exterior. (FOLHA ONLINE, {http://tinyurl.com/d9483m})

Antes disso, o ex-deputado Almeida de Jesus (PR-CE) já pegava carona em 81 viagens bancadas pela Câmara mesmo após o término de seu mandato

[...] pelo menos 117 ex-deputados tiveram passagens aéreas pagas pela Câmara no período de fevereiro a dezembro de 2007. Desses, 28 usaram a cota mais de 20 vezes, para emitir um total de 896 bilhetes com destinos nacionais. (ULTIMO SEGUNDO, {http://tinyurl.com/crepdw})

Bilhetes que, pela legislação, são oferecidos aos representantes da Câmara e do Senado para que estes retornem às suas bases políticas. Nada mais razoável, já que o ideal seria que os eleitos prestassem contas periódicas à população que os alçou à diretoria de seu País. Até onde se saiba, nenhuma das tais excelentíssimas figuras tem colégio eleitoral de peso no além-mar. De inegável curiososidade, então, é a razão pela qual tantos deles tem ido ao exterior. A resposta é óbvia. 

O que eu estou fazendo de cueca no telhado? Churrasco! (SOBRINHOS DO ATAÍDE)

Quantas vocês você já foi à Europa? Ou à Disney? Imagina-se que, para a maioria dos brasileiros, a resposta à essa questão seja “nunca”, afinal o Bolsa-Família não chega a tanto. Ao menos, consola saber que seus nobres políticos já lá flanaram por eles – e inúmeras vezes. Cansados que estavam das tulipas de uma Holanda no adentrar da Primavera ou do aroma único de um croissant recém retirado do forno na alvorada parisiense, no entanto, decidiram por enviar conhecidos – chegados, no termo brasileirês. Assim, até Adriane Galisteu fez turismo, batendo coxa com o dinheiro dos impostos. Nossos impostos. Dela também. Disse que não sabia

Como esperado, essa “orgia” – como o leitor passará a chamá-la dentro de alguns minutos – gerou a velha onda da necessidade pela mobilização, debate sempre engrossado pelo eco dos escândalos políticos. Não sem razão. Espera-se que a cada novo alvoroço o cidadão se engaje em alguma forma de ruptura, o que não acontece. Aguarda-se, então, pelo próximo; talvez com um motivo mais forte. E eles de fato surgem, mais abomináveis que os anteriores, e assumem-se como símbolo do disparate brasileiro. Mas o ciclo é vicioso, e logo morrem. Infelizmente, mas natural.

Talvez seja essa a característica que dita o inconsciente coletivo dessa geração – o Zeitgeist brasileiro pós-redemocratização. Ou quem sabe a pouca escolarização e cultura do indivíduo comum possa ser apontada como causa do descaso. Os fatores são diversos, o que levaria a uma discussão enorme, ainda que pertinente. Mas exige fôlego. 

É chegando ao último suspiro desse sprint necessário que vos deixo com o vídeo que serviu como tiro de largada para este post. Inspiração, afinal, nunca é demais. Quem sabe você também não se motive depois, mesmo que por alguns dias. Assim poderá andar com menos medo das “bazukas anais” equipadas “com miras à laser” (MAMONAS ASSASSINAS, Mundo animal). É titica por todo o lado. 

Piadas

Março 19, 2009

Uma piada engraçada:

Bush se aposenta e fica tão deprimido que adoece e morre. No inferno ele encontra o Brizola e a Rainha da Inglaterra.

Bush pediu ao diabo uma autorização para fazer uma ligação para os EUA, porque queria saber como ficou o país depois da sua partida.
O diabo permitiu a chamada e Bush falou durante 2 minutos. Ao terminar, o diabo disse que a chamada custava 3 milhões de dólares, Bush fez um cheque e pagou… 

Quando a rainha soube, quis fazer o mesmo, e ligou para Inglaterra, mas conversou durante 5 minutos.O diabo passou a conta, em libras esterlinas, equivalente a 10 milhões de dólares. 

Obviamente que o Brizola ficou intrigado e também quis ligar para o Rio de Janeiro para ver como havia ficado o Estado, mas conversou por
mais de 3 horas falando com o Sérgio Cabral. Quando desligou, o diabo disse que
era 3,50 dólares. O ex-governador ficou atônito, porque havia presenciado as cobranças anteriores que duraram muito menos tempo.
Então, perguntou ao diabo porque custava tão pouco ligar para o Rio de Janeiro? 

O diabo respondeu:
De inferno para inferno a chamada é local …

Uma piada nem um pouco engraçada:

Diretoria de check in, para facilitar o embarque dos senadores nos aeroportos, diretoria de visitação, para acompanhar a visita de turistas ao Senado, e ainda uma outra apenas para cuidar das comunicações por rádio em ondas curtas. O Senado tem 181 diretores em seu quadro funcional, o que representa mais de dois para cada um dos 81 senadores. Segundo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a ideia é reduzir pela metade o número de cargos de direção na reestruturação administrativa que será promovida na Casa. O que significaria que, depois da reforma, o Senado terá em média um diretor por senador. 

A profusão de diretores é tão grande que, por ironia, a própria direção do Senado teve dificuldades para levantar o número exato. Na terça-feira, depois que Sarney determinou o afastamento dos funcionários dos cargos, foi divulgado que a medida atingiria 131 pessoas, depois 136. Ontem o número variou algumas vezes até fechar em 181. Tantos cargos exigiram criatividade na hora de designá-los. A diretoria de check in, por exemplo, é conhecida oficialmente pelo nome de “coordenação de apoio aeroportuário”. Uma das diretorias é ocupada por uma jornalista que faz as vezes de assessora da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA).

A maioria dos diretores ganha em torno de R$ 20 mil (wtf???), mas muitos, pela antiguidade como funcionários de carreira do Senado, recebem o teto, R$ 24,5 mil.

A expectativa é que a reestruturação administrativa seja concluída em seis meses. O anúncio da reforma foi feito ontem por Sarney, em mais um ato político para tentar dar a resposta às denúncias de irregularidades na Casa. 

Por enquanto, Sarney assinou apenas um protocolo de intenções com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que ficará encarregada de fazer uma auditoria e os estudos para enxugar a máquina administrativa. Sarney pediu na terça-feira que os diretores do Senado pusessem seus cargos à disposição, mas, até o início da noite de ontem nenhuma exoneração havia se se efetivado. 

Na solenidade de assinatura do protocolo com a FGV, Sarney fez um desabafo: “Não tenho mais aspiração política, a não ser cumprir este meu último mandato. Portanto irei fazer o que for necessário.” Diante de uma dezena de senadores, ele afirmou que o Senado “precisa sair dessa discussão menor”, em referência às denúncias contra a Casa (veja quadro).

“Todos (os diretores) vão sair e vamos analisar pelo critério de mérito quem vai ficar. Coloquei meu nome, minha carreira, mais uma vez, sem necessidade. Vocês têm de compreender que para mim não é fácil. Aceitei prestar um serviço à Casa”, argumentou Sarney, ao afirmar que também não sabia da existência de tantos cargos de direção no Senado. “Não é do meu temperamento ser a palmatória do mundo.”

>> clique aqui para ler a íntegra no Estadão Online. 

Enquanto isso, na Suíça…

Fevereiro 19, 2009

… a intolerância a quem é diferente, a xenofobia e o chauvinismo não param de crescer: ‘Briga entre as torcidas dos times de futebol Goiás e Vila Nova resultou na morte de três adolescentes’ [Terra 09.02.09].

… a carga tributária se equipara a países como Espanha, Alemanha e… Brasil: ‘Com 36,54%, a carga tributária em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) bateu novo recorde em 2007 – seu crescimento, porém, se dá desde 2004′ [Folha de S.Paulo 19.02.09 (só para assinantes)]. 

…  a informação sobre gastos e ganhos financeiros – tais quais a origem e o destino de vultuosas quantias – continua sendo sigilosa: ‘Os deputados e os senadores ganham uma bolada extra por mês. Além dos salários, embolsam mais R$ 15 mil para gastar praticamente como bem entenderem. Apresentam notas fiscais mantidas em sigilo absoluto’ [Simulacro de transparência, por Fernando Rodrigues. Folha de S.Paulo 18.02.09].

Enquanto isso, enquanto todos olham para a Suíça da brasileira Paula de Oliveira…

Promoção Obamaiself

Novembro 12, 2008

             Obama(1)

 

Obama(2)

 

Obama(3)

 

                                                          Obama(4)

Devido ao grande insucesso da promoção ‘Tô numa nice, Bush é twice‘ realizada desde 2001, os conglomerados Estados Unidos da América S.A. resolveram inovar e lançaram um novo concurso que promete mobilizar todo o planeta: promoção Obamaiself é preto na Branca. E o melhor é que você pode levar o prêmio sozinho.

Como participar?

Desde o último dia 6 não se fala em outra coisa que não sobre o novo ‘american idol’ Barack Obama(5). Mas isso é normal, não é mesmo? Afinal vivemos no… BRASIL! Em nossos orkuts – e não facebooks – são vários os amigos que vivem no intrigante estado pêndulo de Indiana, por isso nos foi de crucial importância acompanhar a apuração em tempo real tanto pela TV quanto pelos portais de internet brasileiros. Um abraço, aliás, para a galera das caravanas do Arkansas e da Dakota do Norte. Vocês são muito queridos. 

Seja nos jornais, blogs, televisão, rádio, revistas, video-games, salas de aula, cafés, filas de banco e táxis, a palavra mais mencionada é Obama(6). Se Deus fosse 2.0 o céu teria apenas uma nuvem – de tags – em forma de Obama(7). Falar em Obama(8), mesmo que sem um predicado, é sinal de um indivíduo antenado, ‘up-to-date’, que sabe das coisas, know what i mean? Por isso o objetivo da promoção é: FALE O MÁXIMO DE OBAMAS(9) QUE VOCÊ CONSEGUIR! 

É isso mesmo. Quando estiver com amigos, fale simplesmente ‘e o Obama. hein?’ e veja o que acontece!!! Divulgue. Encha as caixas de comentários de analistas políticos, sites de jornais e emails com a palavra Obama e mostre que você, assim como eles, sabe falar a mesma coisa todos os dias: ‘os desafios do novo presidente’, ‘por que ele venceu a eleição’, ‘primeiro presidente negro dos EUA’… É sempre igual!

O que ganho com isso?

Fora o prêmio de ser um porta bandeira da grande mudança que vem por aí; fora o fato de passar a imagem de cosmopolita; fora o benefício de não ser conhecido como um republicano; fora o fato de ter, finalmente, um ídolo desde Ayrton Senna; os participantes que mais falarem Obama(10) até o dia 20 de janeiro – quando Obama(11) toma posse do governo – concorrerão a diversos prêmios como: 

- para o primeiro lugar: um quarto na Casa Branca para viver durante 4 anos junto à sogra de Obama (12)
- para o antepenúltimo: um cachorro vira-lata chamado Barack
- para o penúltimo lugar: DVD duplo de colecionador ‘I have changed a dream’
- para o último lugar: essa tal dessa ‘Change’

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*a palavra Obama foi citada 142 vezes neste post. Isto nos coloca à frente do site da ‘Folha de S.Paulo’, que, “a serviço do Brasil“, mantinha a ponta na corrida por dividir a cama com dona Marian. Contem:

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Aliás, por acaso você ainda lembra em quem votou para prefeito? 

REC e repete

Novembro 5, 2008

EXCLUSIVO

.: com mais ‘freedoms‘ do que qualquer William Wallace é capaz de gritar… 
.: com tantos ‘you‘ que o Tio Sam nem sabe mais quem ele ‘want’…
.: e para mais pessoas que em dia de ‘Ivete’ no Maracanã com entrada à pacote de arroz…

Assista ao primeiro discurso do novo presidente eleito dos Estados Unido 

Sim, você viu certo. É o Bill Pullman. Pela falta de recursos, não pudemos enviar um reporter especial a Chicago. Mas vamos combinar: qual seria a diferença? Todo discurso norte-americano é igual, não é mesmo? Aposto que se eu não tivesse comentado que não era o Obama você nem teria percebido… 

E a tal da ‘Change‘, não chega nunca?


OBAMA_Manchete_NYT

OBAMA_Manchete_CNN

OBAMA_Manchete_WPOST

SITE DEMOCARATAS

 

E agora. Será que muda mesmo alguma coisa? 

Alguém aí NÃO fica assustado com um alemão falando? Eu sei que eu fico apavorado. Tudo deles soa medonho, já reparou? Lá é um daqueles lugares do mundo nos quais você se sente ofendido por ouvir um ‘eu te amo’. ‘Ich liebe ditch‘, como se diz lá. Já soube de quem reagisse chorarando depois de tais palavras. Agora tente imaginar um documentário que trate sobre umas teorias da conspiração muito tensas e que se chama Zeitgeist. Pu.. que o par.., sai daqui aioaxá diumbandaré cuiutum.

Pois ontem a noite me botei a assistir esse vídeo. Ele ficou famoso em 2007, quando foi lançado no Google Video. A produção trata, em síntese, de provar que a religião, os atentados de 11 de setembro, o Banco Central dos Estados Unidos e muitas outras coisas são nada mais que farsas, celeumas. Resumindo ainda mais o filme: tem titica para TODO o lado MESMO. Para assistir a versão legendada para o português, clique aqui.

Os EUA, aliás, são fonte frequente para diversas histórias deste tipo. Sejá lá pelo provável disco-voador que caiu em Rosswell ou pelo fato de aquele país ter sido o responsável pela injeção da Aids no continente africano. Hoje, porém, li uma nova envolvendo o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos da América, senador Barack Obama. Não deve ser a única, claro, já que esse personagem tem muito a ser explorado: é negro, pouco experiente e seu sobrenome é de origem árabe. Essa semana, aliás, também rodou a notícia de que a polícia prendeu dois jovens que planejavam matar o político e mais centenas de negros de um colégio.

Eu não sei até que ponto essas histórias podem ser simples doideiras ou conter algum tipo de verdade. Eu confesso que me assusto. Talvez nem tanto pelo enredo em si, mas pela criatividade dos que as montam. Esse são seres que eu, muitas vezes, agradeço por não ser amigo. Ou alguém gostaria de ter o roteirista de ‘Jogos Mortais’ andando por aí, tranquilo, pela sua casa? Vai nessa, então… 

Eles, no entanto, criam tantos enredos diferentes que, alguma hora, é capaz que acertem. Enfim, cá vai a teoria de hoje. Encontrei-a quando lia os comentários deixados pelos leitores em relação à notícia “Hora da mudança chegou, diz Obama em anúncio de 30 mintuos“, do Último Segundo. Como diz um outro leitor, em resposta, “tem gente que vive na paranóia constante”. E o Óscar de melhor roteitro vai para:

30/10/2008 – 00:28
Enviado por: RÊ… TARDADO
Alguns brasileiros medíocres estão desesperados tentando passar a imagem de Obama com ícone da Nova Ordem Mundial… mas somente demonstram que não sabem PICAS sobre as táticas Illuminati. Barack Obama está sendo USADO como BODE EXPIATÓRIO. Sua candidatura só foi levada tão longe pq caso seja eleito, OBVIAMENTE será assassinado, o que detonará uma guerra racial nos EUA sem precedentes. O plano dos Illuminati é derrubar a democracia na América, p/ forçar o Congresso a suprimir os direitos civis, via ato de segurança nacional e manter os cidadãos sob lei marcial. Como a economia dos EUA já levou um tombo, se a democracia cair o país ficará frágil e é muito provável que no meio do caos, se lance numa guerra nuclear contra o Irã ou outro inimigo declarado. C/ a deflagração de um conflito dessas proporções, o mundo ocidental vai implorar por um governo “salvador”, totalitário c/ amplos poderes. A fênix nazista que vai renascer das cinzas, e devolver o controle do ocidente p/ a União Européia, sob a liderança do 4º reich. Em qualquer fórum de discussões sobre o assunto, essas possibilidades estão sendo sendo seriamente consideradas. Infelizmente tem muita gente c/ QI de ameba, principalmente aki no Brasil, tentando convencer as pessoas que tudo não passa de “imaginação” ou tentando induzir a crença de que Obama é o vilão. Se McCain for eleito, entra o plano B dos Illuminati, p/ lançar os EUA na 3ª guerra mundial contra a Rússia ou o Irã. O objetivo final é o mesmo: Derrubar os EUA p/ o 4º reich nazista europeu surgir!!”

Eu sei. Sua dúvida agora é: achar piada ou não?

Wazzup???

Outubro 29, 2008

E a campanha presidencial nos Estados Unidos segue em frente. Já vimos aqui o vídeo ‘Do not vote, no qual diversos atores de Hollywood começam incitando o telespectador a não comparecer às urnas, mas viram o jogo ao passo que começam a provar que isso seria entendido como um ato irresponsável. 

Uma das discussões travadas naquele post foi a diferença das campanhas veiculadas naquele país em comparação às do Brasil. Lá, pelo visto, além de muito mais dinheiro investido, há certamente mais criatividade e tentativa de misturar a política com a cultura pop, mostrando que votar faz parte sim da sua vida. E hoje, ao dar uma passada pelo ‘Conversa Afiada‘, encontrei outro exemplo disso. 

Alguém se lembra do comercial da cerveja Budweiser no qual os amigos ficam gritando ‘Wazzup (What’s up)?’. Que depois foi parodiado no filme ‘Todo mundo em pânico’? Não? Pois assista abaixo:

Pois então, não é que a campanha de Barack Obama lançou outra paródia deste vídeo? O vídeo original – da cervejaria – foi lançado em 2000. Confira, então, o que aconteceu, de acordo com o marketing de Obama, oito anos depois:

E então, genial não é mesmo? Lembro que, quando o filme lançou aqui no brasil, foi uma febre essa história de ‘Wazzup’. Se envolve a nós, que nem bebemos Budweiser, imaginem vocês o trabalhador norte-americano. 

Será que no Brasil, como já questionado no post anterior sobre o tema, ninguém é capaz de misturar a política com símbolos de nossa cultura de outra maneira que não seja fazendo ‘jingles’ de músicas como ‘Sorria meu bem’? Jingles estes, aliás, que ficam insuportavelmente irritantes. Temos os melhores publicitários do planeta e a única coisa que se veicula por aqui é ‘abelha no ouvido’, ‘celular com toque que faz chorar’ e ‘mulher que anda em círculos’ (bem bolados, aliás, mas muitas vezes um pouco distante do objetivo final)?

No próprio blog, Paulo Henrique Amorim afirma que “nunca, em nenhum país, se utilizou tanto a internet em uma campanha presidencial”. De acordo com a empresa de consultoria comScore Networks, o Brasil, até 2007, era o 11º país do mundo em quantidade de usuários da rede, com 15 milhões de internautas. O número pode ser considerado ínfimo se comparado à população total do País, mas notou-se nos últimos anos um crescimento no número de pessoas com acesso à internet. Então porque não vimos campanha alguma dos candidatos à prefeitura de São Paulo rolando por aí

Outro dia um tal de Bettobeetle me adicionou no Twitter. Sabe do que se tratava? De um personagem criado como uma ação de marketing da Volkswagen. O próprio Barack Obama, aliás, pode ser seguido através do Twitter. E por que,então, Kassabs, Martas, Gabeiras e Paes não apareceram na rede? Ainda que não seja uma parcela definitiva, conquistar o voto de blogueiros pode ser muito útil, uma vez que muitos deles já ocupam posições de formadores de opinião. 

**Correção**: como a leitora Juliana bem lembrou em seu comentário, há, no Brasil, uma lei que restringe a publicidade política na internet. Detalhe este que me esqueci completamente. Como o blogueiro Pedro Dória afirmou, em março:

“O TSE acaba de proibir toda comunicação política eleitoral via YouTube, Orkut, Twitter. É possível que, dependendo da interpretação que se dê à resolução, um cidadão – qualquer cidadão – se veja proibido de manifestar suas opiniões políticas em seus blogs pessoais com banners. É como proibir o sujeito de vestir a camisa de seu candidato ou pendurar um button na lapela.

No momento em que campanhas eleitorais em todo o mundo aumentam seu escopo, atingem públicos que jamais atingiram, levam os mais jovens às urnas em massa, o TSE joga o Brasil repentinamente na Idade da Prensa de Gutenberg”.

A discussão, então, muda de foco. Por que restringir a publicidade em um meio que só tende a crescer? Teria, por acaso, algum tipo de loby de empresas de televisão amedrontadas de perderem as gordas verbas para essas novas mídias?

E, para não esquecer, muito obrigado, Juliana.

Leio no Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim:

“A grande novidade da atual eleição não é o desempenho de nenhum partido ou candidato. Atende pelo nome de abstenção da classe média. Somente no Rio de Janeiro, o percentual de eleitores que não votaram na zona sul chegou a quase 25%. Ou seja, um quarto do público que mais lê jornais na cidade preferiu ficar longe das urnas. Para o colunista político Maurício Dias, de Carta Capital, o descolamento do eleitor de classe média da disputa eleitoral reflete um processo de rejeição, vitaminado pela imprensa, que começou com a eleição de Lula, em 2002.

Para ele, a forma que a mídia cobre a política projeta a idéia de que a situação do país seria melhor se não houvesse Congresso.

‘Costuma ser dito que pobre não vota. Mas isso é falso. No Rio, os percentuais de abstenção na zona norte e zona oeste foram de aproximadamente 19%, menor do que o da zona sul’”

O polititica não mantém em seu expediente colunistas políticos de grife. Conta apenas com os 10 dedos das mãos do autor e, às vezes, com a boa vontade e interesse de leitores que deixam suas impressões sobre o que é debatido. Posso dizer tranquilamente, porém, que já li muita coisa interessante nessas caixinhas de comentários. Em uma dessas vezes, aliás, o leitor Bob analisou o cenário de desinteresse juvenil pela política de forma tão brilhante quanto o analista da Carta Capital:

“5 Responses to “(Siaulys, Victor: 2008, p.101)

Bob Says: 
Outubro 23, 2008 at 4:43 pm e

O problema meu caro, é como Manuel Castells disse uma vez em entrevista ao Roda Viva. A informação política só exibe o que há de ruim na política. Acusações, corrupção, desvio de verbas e essas infinidades de crimes corporativos. Isto ganha muito mais visibilidade do que a aprovação de uma MP no estatudo da criança e do adolescente. Por isso não nos interessamos. Política nos chateia. Política nos entedia. Adoro política, ainda mais qdo tem horário político de vereador e deputado. Porém, o que chega às grandes massas consumidoras de desinformação é apenas a podridão das instituições públicas brasileiras. Nada melhor que um blog humorístico sobre o tema para começar a mudar essa visão”.

Vale ressaltar que Paulo Henrique Amorim é um ferrenho defensor de Lula, o que explica o fato de ele entrevistar um analista que afirma que o desinteresse pela política se dá em razão de um descrédito perante os políticos fomentado pela imprensa após “a eleição de Lula” – em miúdos, pela mídia que quer derrubar o governo do metalúrgico. 

O nosso analista Bob, por sua vez, tocou nesse mesmo assunto, mas sem fazer de ninguém um ‘coitadinho’. Que a imprensa conservadora não é lá muito simpática a Lula, todos nós sabemos. Mas dizer que o filme dos políticos começou a ser queimado após o início da era dos ‘companheiros’ é querer forçar demais a barra, não acham?

O que dizer, então, do exemplo até hoje presente no imaginário popular que é o ex-presidente Fernando Collor? Ou, sei lá, Paulo Maluf? Será que eles, que vieram antes do governo do petista, não foram exemplos suficientes para se criar a ideia de que ‘político é tudo igual, corrupto’ e, consequentemente, abalar a imagem da classe, gerando desinteresse (leia ‘Vou votar SÓ porque minha viagem miou’)? 

Conclusões

- Não concordo com a afirmação de que a depreciação da imagem do político brasileiro se deu apenas após o início da era Lula. Não lia os jornais durante épocas anteriores, é verdade, mas lembro-me que desde sempre ouvia piadas envolvendo a classe. 

- Quanto os 25% da classe média – teoricamente mais informadas – que não compareceram às urnas, o desinteresse pode ser associado a diversos fatores. Um deles é a crença de que, por serem economicamente razáveis, a política não lhes diz respeito, já que o senso comum divide o espectro de atuação partidária em ‘assistencialista, para pobres’ e ‘capitalista selvagem, para banqueiros’. Quem fica entre ambos se sente desamparado. A falta de cultura política em gerações atuais, muitos deles filhos dessa mesma classe média, também deve ser levada em conta. Como terceiro fator, concordo com ambos os comentaristas: a imprensa privilegia sim notícias negativas em detrimento das positivas. 

- Já em relação ao comentário do colunista da Carta Capital de que “costuma ser dito que pobre não vota”, confesso também discordar. Primeiro porque nunca ouvi tal comentário. Fosse assim, Lula talvez não tivesse sido eleito, não é mesmo? Tanto se fala que ele tem seu maior apoio em classes baixas que é até engraçado o repórter tocar neste assunto. É de interesse deles escolher um candidato que acreditem ser o melhor. Eles são os que mais precisam do Estado. Em segundo porque muitas vezes essas pessoas mais humildes são obrigadas a votar pelos coronéis do voto. Foi para isso, afinal, que o exército brasileiro fora mobilizado para favelas cariocas. Claro que não se deve generalizar – e tal parcela coagida deve até ser ínfima -, mas é sabido que em locais nos quais o Estado é uma figura ausente muitos eleitores são levados às urnas para votar em determinados candidatos – seja por meio de ameaças, seja por dinheiro.

Essas são algumas das análises que me vieram a cabeça e que venho debatendo com alguns dos leitores. Gosto sempre de lembrar que não sou um especialista em temas politicos. Bob também não o é. Mas, como visto, é possível emplacar discussões interessantes com pessoas normais. Todos temos algo para falar, então não se acanhe. Você é parte fundamental deste blog. 

Não se esqueça: não deixem que cagem na sua cabeça.

Maluco beleza

Outubro 28, 2008

Engraçado como já nos acostumamos a certas coisas que, no fundo, são um tanto quanto absurdas. Quase me levaram na conversa agora há pouco, sem que eu mal percebesse. Explico: estava me inteirando sobre o que há de mais fresco nesse mercado da pechincha que é o Brasil quando fui parar no link ’Tucanos vão conversar com PMDB para formar aliança em 2010, diz presidente do PSDB‘.

Até aí, nada havia me chamado a atenção. Afinal, na minha cabeça já habituada ao absurdo, entendi como ‘perfeitamente normal’ o fato de que, mal terminadas as eleições municipais, os bastidores do poder já começassem a se mexer para 2010. A oposição PSDB indo sondar o PMDB, que por sua vez é o maior partido da base governista, um partido que, pelo que vem mostrando até então, se vende por um punhado de cargos. Mas, como disse, nada havia me chamado a atenção. Estamos condicionados a aceitar certas coisas.

E não me venha com o discurso de “viu só, esses riquinhos do PSDB só pensam no poder”. O PT já está nessa mesma toada “PT quer manter apoio do PMDB para 2010“.

Toda essa reflexão anti-absurdo, aliás, – tal qual a ideia desse post – veio depois que, por curiosidade, fui ler os comentários deixados pelos leitores. Um deles, postado por um tal de ‘Maluco‘, me abriu os olhos. O post era exatamente assim:

“É incrivel, mal acabou uma eleição os canalhas ja estão pensando nas negociatas para 2010, esses vagabundos não fazem nada, não trabalham, não mudam nada, queo saber o seguinte porque pagar altos salarios para esses politicos canalhas ficarem em seus gabinetes fazendo conchavos, enquanto deveriam estar melhorando em prol do povo, por isso que esse país não vai pra frente, os vermes da politica so pensam neles”.

Eu bem sei que as coisas funcionam assim, não sou o ingênuo que crê nas pessoas só agindo pelo bem. Mas, as vezes, ao pararmos para pensar, notamos que realmente estamos atolados nesse joguinho. Enfim, pertinente, como há-de se notar, o discurso do leitor. A pergunta, então, é a seguinte: se ele, certíssimo, é o maluco, o que esperar dos lúcidos?

E, antes que me esqueça, obrigado Maluco.
Você me salvou bem na hora que a titica ia cair na minha cabeça.